HEMOGLOBINOPATIAS E TALASSEMIA MAIOR: UMA REVISÃO DA LITERATURA

/HEMOGLOBINOPATIAS E TALASSEMIA MAIOR: UMA REVISÃO DA LITERATURA

HEMOGLOBINOPATIAS E TALASSEMIA MAIOR: UMA REVISÃO DA LITERATURA

 

Vera Lúcia da Silva Gomes Araújo1.

 

 

RESUMO:

 

 

As hemoglobinopatias ao longo das últimas décadas vêm sendo estudadas devido a preocupação com a alta incidência populacional desta patologia e sua gravidade que representa um problema de saúde pública mundial. O objetivo do presente estudo é discorrer sobre os distúrbios hematológicos nas hemoglobinopatias com destaque para a talassemia maior, bem como descrever as formas de diagnóstico e tratamento para esta doença. A talassemia maior é uma doença heterogênea que apresenta manifestações clínicas provenientes de fatores determinantes como: intensidade de hemólise crônica, capacidade de compensação frente à anemia, esplenomegalia e alterações ósseas. Neste estudo concluiu-se que vários distúrbios hematológicos envolvendo a hemoglobina são identificados e discutidos na literatura científica com destaque para a Anemia Falciforme e as Talassemias, hemoglobinopatias consideradas graves problemas de saúde pública mundial. A Talassemia maior constitui uma hemoglobinopatia variante hereditária caracterizada por uma anemia grave com comprometimento da oxigenação tecidual e pulmonar, que pode trazer sérias complicações para o portador. O diagnóstico, devido aos vários tipos e subtipos da doença, se faz necessária atenção e conhecimentos específicos para determinar mutações envolvendo a hemoglobina. Pode ser detectada na triagem neonatal no período entre 7 e 30 dias pós-nascimento por meio de eletroforese de hemoglobina e cromatografia liquida. O tratamento requer uso de transfusões sanguíneas e terapia medicamentosa. A cura só é possível por meio de transplante de medula óssea. Ressalta-se a importância do diagnóstico precoce visando melhor desenvolvimento e bem estar para o paciente.

 

 

 

 

 

Palavras-chave: Hemoglobinopatias. Talassemia maior. Diagnóstico

 

 

 

 

ABSTRACT

Hemoglobinopathies over the past decades have been studied because of concern about the high population incidence of this disease and its severity that is a worldwide public health problem. The aim of this study is to discuss the haematological disorders in hemoglobinopathies highlighting the thalassemia major and describe forms of diagnosis and treatment for this disease. The thalassemia major is a heterogeneous disease with clinical manifestations from determining factors such as intensity of chronic hemolysis, compensation capacity front of anemia, splenomegaly and bone changes. In this study it was concluded that several hematologic disorders involving hemoglobin are identified and discussed in the scientific literature highlighting the Sickle Cell Disease and thalassemias, hemoglobinopathies considered serious problems of global public health. Most Thalassemia is a hereditary hemoglobinopathies variant characterized by severe anemia with impaired tissue oxygenation and lung, which can cause serious complications for the carrier. The diagnosis due to the various types and subtypes of the disease, it is necessary attention and expertise to determine mutations in hemoglobin. It can be detected in neonatal screening for the period from 7:30 postnatal days by hemoglobin electrophoresis and liquid chromatography. Treatment requires the use of blood transfusions and drug therapy. Healing is possible only through bone marrow transplantation. It emphasizes the importance of early diagnosis in order to better development and welfare for the patient.

 

 

 

Keywords: Hemoglobinopathies . thalassemia major . Diagnosis

 

 

 

1 INTRODUÇÃO

Hemoglobinopatias correspondem a um grupo de doenças provenientes de alterações na síntese da hemoglobina. As variações mais corriqueiras para o distúrbio da hemoglobina é a anemia falciforme e as talassemias com altos índices de complicações e morbidades (FONSECA e PICANÇO, 2014).

Nas doenças hereditárias associadas às hemoglobinopatias predomina o caráter autossômico recessivo. São mais de 1000 mutações desencadeadas por alterações na síntese da molécula de hemoglobina S (HbS) e C (HbC) além da alfa e beta talassemias. Em nosso país há o predomínio da HbS e da anemia falciforme (forma homozigoto da HbS) com mais de dois milhões de portadores do traço falciforme e oito mil com a anemia falciforme. Acomete principalmente indivíduos da raça negra considerada população de risco (SILVA et al, 2015).

Conforme Silva et al (2014) as HbS e HbC são originárias da África e de lá por meio do tráfico de escravos foram disseminadas por toda a América. Na Bahia a prevalência do traço falciforme é maior do que em outros Estados brasileiros com prevalência de 5,3 % apontam os registros do Ministério as Saúde, comparado com Pernambuco e Rio de Janeiro 4%, São Paulo 2,6%, Rio Grande do Sul 2% e Minas Gerais 3%.

              Dentre as alterações hematológicas hereditárias a hemoglobina S é reconhecida como a de maior ocorrência no homem. Esse evento se dá quando o gene beta da globina apresenta uma troca da base nitrogenada do códon GAB por GTG onde são substituídos o Ácido Glutâmico pela Valina na posição 6. A baixa tensão de oxigênio, acidose e desidratação leva ao processo de falcização dos eritrócitos (FIGUEIREDO et al, 2014).

A pesquisa de hemoglobinopatias foi inserida na triagem neonatal pelo Sistema Único de Saúde, em 2001, pelo Ministério da saúde de acordo com a portaria n. 822/01, assim, essa doença foi reconhecida como um problema de saúde pública (SOMMER et al., 2006)

Através do Programa Nacional de Triagem Neonatal é possível identificar em crianças recém-nascidas entre 7 e 30 dias doenças pré-existentes do tipo hematológicas, metabólicas, infecciosas e genéticas, na qual a pesquisa é feita por meio do teste do pezinho como é conhecido popularmente o referido exame. Este programa representa uma ação preventiva. São identificadas patologias que podem comprometer o desenvolvimento e crescimento dos portadores. O objetivo deste programa é a identificação precoce de várias doenças, a fim de que seja iniciado o tratamento nos casos confirmados para evitar complicações, sequelas e morbimortalidade infantil (SALES et al, 2015).

As hemoglobinas (Hb) humanas são formadas por duas cadeias polipeptídicas (globinas) do tipo “alfa” e duas cadeias do tipo “beta” associadas a um grupo proteico heme ligadas a moléculas de oxigênio. Sendo assim, o papel da Hb é levar oxigênio para os pulmões e tecidos adjacentes. As hemoglobinopatias são geradas por mutações que afetam os genes de globina. São originadas conforme o tipo de cadeia que está prejudicada.  A talassemia beta, em geral, é causada pela substituição de bases nos éxons, íntrons e regiões promotoras dos genes, resultando em redução ou ausência de síntese de cadeia beta da Hb levando o paciente ao quadro de anemia microcítica e hipocrômica.  Algumas talassemias apresentam ausência total de síntese de cadeia beta (COSTA e SONATI, 2008).

Dentre as hemoglobinopatias, variantes de hemoglobinas anormais, a de maior gravidade é a Talassemia beta ou Talassemia maior (TM) ou ainda anemia mediterrânea de Cooley. É uma doença crônica que acomete homens e mulheres em proporções iguais e o portador depende de acompanhamento clínico especializado com constantes visitas aos centros de tratamentos. Existem cerca de 100.000 portadores vivos de talassemia maior em função da migração populacional de uma área para outra, ou seja, todos os países do mundo possuem seu percentual de habitantes convivendo com esta patologia (ABRASTA, 2003 apud SLAVEC, 2008).

A Talassemia é considera uma anemia hemolítica de caráter hereditário recessivo. Nesta patologia a produção de hemoglobina é comprometida e pode variar de acordo com a redução dos diferentes tipos de globina.

As doenças genéticas em geral provocam o estigma no portador, pois, é vista de forma preconceituosa. Assim como a maioria das doenças hereditárias que se manifestam na forma crônica, o portador de talassemia maior sofre o estigma de ser diferente e por isso é necessário que haja maiores informações tanto para o portador e familiares quanto para a sociedade. Uma sociedade mais informada e esclarecida possibilita acolhimento e a inserção destes indivíduos com melhor convívio social, nas escolas, no trabalho ou no lazer. É obvio que neste contexto, é permitida a socialização dos pacientes talassêmicos.

Considerando a frequência da forma grave de anemias hemolíticas e sua importância clínica este estudo discorre sobre os as alterações patológicas peculiares das hemoglobinopatias com destaque para a forma mais grave da doença que é a talassemia maior, bem como descreve as formas de diagnóstico e tratamento para esta doença.

 

  1. RECURSOS METODOLÓGICOS

Este trabalho é fruto de uma revisão da literatura e apresenta uma abordagem qualitativa explicativa, tomando por base artigos científicos com data de publicação dos últimos dez anos, indexados nas bases de dados: Scientific Electronic Library Online (SCIELO), National Library of Medicine (MEDLINE) e Literatura Latinoamericana y del Caribe en Ciencias de la Salud (LILACS). Os dados desta pesquisa também foram obtidos em monografias, teses e dissertações disponíveis em meio eletrônico. As palavras-chave que deram suporte a esta pesquisa foram: Talassemia maior. Hemoglobinopatias. Diagnóstico.

 

3 CONSIDERAÇÕES SOBRE AS HEMOGLOBINAS  E HEMOGLOBINOPATIAS

De acordo com as contextualizações de Alexandre e Marini (2013) as hemoglobinas normais presentes na corrente sanguínea são: hemoglobina A (HbA) a que mais predomina, hemoglobina A2 (HbA2) e hemoglobina fetal (HbF). A miscigenação no Brasil promoveu a disseminação de hemoglobinas variantes, dessa forma, as hemoglobinopatias tem relação com essa diversidade étnica por meio da propagação de genes anormais na população.

A função da hemoglobina nas hemácias é realizar o transporte de oxigênio para os tecidos. As alterações na síntese desta molécula desencadeia uma série de hemoglobinas variantes anormais, cada uma com denominação própria de acordo com seu defeito. Constituem distúrbios hereditários com mutações no gene da hemoglobina. Quando ocorrem alterações anormais na cadeia polipeptídica denomina-se hemoglobinopatia, por outro lado, se na síntese da cadeia acontece em quantidades alteradas é denominada Talassemia (ALMEIDA et al, 2011).

Indivíduos homozigotos (SS) relação a hemoglobina são portadores sintomáticos da doença. Quando apresentam a forma heterozigota (AS) são portadores assintomáticos ou possuem o traço falciforme. As talassemias são hemoglobinopatias que apresentam comprometimento nas cadeias de globina, onde as que mais se expressam é a ausência de cadeia alfa ou beta (SIMÕES et al, 2010). A figura 1 mostra a forma de herança das Talassemias.

O indivíduo com traço talassêmico apresenta uma anemia que pode ser confundida com outros tipos de anemias, por isso é necessário atenção especial nas investigações diagnósticas (HEMORIO, 2004).

Figura 1– Esquema para herança das Talassemias

fig1

                       Fonte: Adaptado de HEMORIO- Instituto Estadual de Hematologia

 

A anemia falciforme onde na presença da hemoglobina S que é a forma anormal da patologia, originária de uma mutação na cadeia de globina que causa deformidade nas hemácias e estas se apresentam em forma de foice o que dificulta sua circulação na corrente sanguínea.   As talassemias se desenvolvem a partir da diminuição de uma das suas cadeias alfa ou beta ou ambas. Reforça-se a necessidade de conhecimento destas patologias, a fim de que se tenha uma identificação fidedigna e tratamento adequado (ALEXANDRE e MARINI, 2013).

Diante da gravidade das hemoglobinopatias se faz necessária a triagem pré-natal e neonatal, a fim de reduzir os problemas clínicos pertinentes à esta patologia, considerando uma melhor qualidade de vida tendo em vista um acompanhamento clínico, além de ser viável o aconselhamento genético para novas gestações (SALAZAR et al, 2011).

Dados históricos revelam que muitas crianças morriam devido às sérias complicações peculiares as hemoglobinopatias e muitas não chegavam aos dez anos de idade. Nos dias atuais em decorrência dos avanços voltados para a identificação precoce e abordagem terapêuticas desta doença, houve melhora significativa da qualidade de vida dos pacientes portadores deste evento hereditário (SONATI e COSTA, 2008).

Outro tipo de talassemia ligada a cadeia alfa é a Doença de HbH. Nesta patologia ocorre eliminação de três genes alfa, o portador apresenta eritrócitos hipocrômicos e microcíticos. Tais alterações são visíveis no sangue periférico. Assim, o portador apresenta uma leve anemia além de hepato-esplenomegalia. (MARTINS, SILVA e REZENDE, 2015).

Ainda conforme os autores acima outro subtipo da talassemia alfa denomina-se Hidropisia Fetal (HbF). Nesta doença são eliminados quatro genes alfa. Dessa forma, o recém-nascido desenvolve uma anemia eritroblástica grave onde a hemoglobina apresenta-se < 7g/dl e a criança vai a óbito poucas horas depois do nascimento. Os autores explicam também que outra Talassemia denominada Beta\Delta a eritropoese é insuficiente e ocorre a formação de HbF chega a 100% no sangue circulante com fragilidade osmótica e redução de HCM.

Ante o exposto, vimos que o indivíduo portador de Talassemia são susceptíveis a serias complicações que implicam desde uma anemia que pode comprometer a oxigenação tecidual e até levar o paciente a morte. Por isso a importância do diagnóstico precoce ainda na infância, a fim de preservar a qualidade de vida do portador e possíveis complicações da referida patologia.

 

4 TALASSEMIAS MINOR E MAJOR

A Talassemia se subdivide em dois grupos: α-talassemia (talassemia alfa) e β-talassemia (talassemia beta). Estas se distinguem pelo tipo de mutação genética que acontece na cadeia de globina no cromossomo 11 e 16. Nos indivíduos onde as mutações se concentram no cromossomo 16, estes são portadores de alfa talassemia. Quando o gene defeituoso é herdado do pai ou da mãe, o individuo é um portador assintomático ou apresentar uma leve anemia sem necessidade de tratamento. No entanto requer acompanhamento nos casos de gravidez, idade avançada e cirurgias. No entanto, as mutações no cromossomo 11 (denominada beta talassemia ou talassemia maior) são as de maior ocorrência no Brasil e no mundo (ABRASTA).

Na talassemia maior a desidratação celular se da em razão do aumento da viscosidade citoplasmática com comprometimento do sistema controlador dos fluxos de íons e água, ativados de forma anormal. As hemácias talassémicas, comparadas às hemácias normais, têm sua taxa de destruição de 10 a 15 vezes maior. Isso faz com que ocorra uma produção acelerada de eritrócitos na medula óssea, e mesmo assim não se consegue evitar uma anemia grave. As células lisadas liberam o heme e no trato gastrointestinal ocorre o aumento de absorção do ferro, paralelo às transfusões sanguíneas diárias, que resultam em sobrecarga de ferro nos pacientes portadores de TM (SONATI e COSTA, 2008).

 

4.1 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA TALASSEMIA MAIOR

A Talassemia é considerada uma anemia hemolítica hereditária. A sua forma mais severa (talassemia maior) começa a se manifestar logo na primeira infância. A criança apresenta alteração do crâneo, palidez, esplenomegalia e tem dificuldade de ganho de peso. Assim, seu desenvolvimento é comprometido e a puberdade é atrasada (HEMOPA).

Lermen et al (2007) acrescenta que o portador de Talassemia maior pode apresentar icterícia. Os ossos frontais da face (maxilar e mandíbula) são proeminentes devido a hiperplasia medular por conta do processo hemolítico. Os autores sinalizam que não há medidas preventivas e para um melhor prognóstico é ideal que se inicie o tratamento tão logo confirme o diagnostico.

Sonati e Costa (2008) reiteram que os portadores de TM apresentam sequelas provenientes da anemia como fadiga, insuficiência cardíaca, sequelas provenientes da eritropoese extramedular como anormalidades ósseas, apresentam também litíase devido a hemólise, hipertensão pulmonar, ulceras nas pernas, hipercoagulabilidade, complicações resultantes do acúmulo de ferro por conta das transfusões sanguíneas com evolução para complicações cardíacas, diabetes, hipotireoidismo, hipogonadismo, hipopituitarismo e cirrose.  O indivíduo apresenta pele com coloração escura e metálica e são vulneráveis a infecções.

Diante disto, é justificável que tal condição patológica seja considerada um sério problema de saúde pública mundial, e, por isso merece toda a atenção diante da sua gravidade e comprometimento com a qualidade de vida dos portadores de hemoglobinopatias severas.

As manifestações clínicas da TM são provenientes de fatores determinantes como: intensidade de hemólise crônica, capacidade de compensação frente à anemia, e alterações ósseas. Há também o risco de contaminação de doenças infecciosas na transfusão de hemácias, como também complicações na sobrecarga de ferro. Desta forma, é evidente que quanto melhor o tratamento, menor risco dessas complicações (CANÇADO 2008).

Os portadores desta doença hematológica são estigmatizados em virtude das alterações físicas e fisiológicas apresentadas pela doença. Os pacientes com TM apresentam aparência que assemelham-se ao mongoloide, possui escoliose e podem apresentar fraturas patológicas em função de osteoporose e osteopenia. Apesar da terapia empregada no tratamento da TM as alterações ósseas são consideradas letais para estes pacientes (VICARI et al., 2008).

 

5 DIAGNÓSTICO DAS TALASSEMIAS

A triagem neonatal ou teste do pezinho é a primeira investigação recomendada na qual podem ser diagnosticadas várias patologias pré-existentes. Este programa no inicio utilizava-se os seguintes métodos:

Dois procedimentos eletroforéticos associados, a eletroforese em acetato de celulose e pH alcalino, que diferencia as Hb A da Hb F e das variantes mais frequentes Hb S e Hb C, e a eletroforese em ágar citrato em pH ácido, que distingue as Hb A2 da C, O e E, bem como as hemoglobinas S da D ou da G (ALEXANDRE e MARINI, 2013, p. 49).

 

 

No entanto, nos dias atuais, a triagem para hemoglobinopatias é feita por eletroforese por focalização isoelétrica ou a cromatografia líquida de alto desempenho, onde a amostra é retirada do cordão umbilical, sangue fresco ou colhida em papel filtro do calcanhar de recém-nascidos. São técnicas eficientes onde os resultados positivos são repetidos utilizando-se o mesmo material, a fim de que se obtenha um resultado fidedigno. Aliado a isso, recomenda-se aconselhamento genético para pais heterozigotos para prevenir novos casos e reduzir mortalidade da doença (ALEXANDRE e MARINI, 2013).

Acredita-se que o diagnóstico da Talassemia não ocorra de maneira simples, desde quando existem tipos e subtipos da mesma. Na talassemia alfa identifica-se a Hemoglobina H (Hb H) na amostra de sangue hemolisado com saponina a 1% submetido a eletroforese de celulose. No entanto, a Hb H apode apresentar concentrações a partir de 0,5% a 1,0% visíveis na amostra de sangue. Os portadores de Hb H onde sua concentração está entre 0,5% e 2,0%  o eritrograma não expressa alteração morfológica numérica. (NAOUM e DOMINGOS, 2007)

Quando a concentração da Hb H atingem percentuais entre 3,0% e 7,0% o eritrograma é compatível com Talassemia menor, que apresenta redução quando comparado com o hematócrito e índices de Volume Corpuscular Médio (VCM) e Hemoglobina Corpuscular Médio (HCM), além de uma anemia leve. Os autores pontuam que, ainda assim, dois fatores podem dificultar o diagnóstico como: imperícia técnica e desequilíbrio entre talassemia alfa/beta (NAOUM e DOMINGOS, 2007).

Naoum e Domingos (2007) explicam que na talassemia beta menor a HbA apresenta concentrações entre >4% a 7,0%, eritrocitose comparada ao hematócrito e índices VCM e HCM. Identifica-se também microcitose, dacriócitos, esquisocitose, pontilhados basófilos e hipocromia.  No entanto, a baixa concentração de ferro na síntese de globina delta e o desequilíbrio entre globina alfa e beta são fatores que interferem no diagnóstico. Na talassemia beta maior, forma complexa da doença, o individuo apresenta uma anemia grave com expressiva alteração morfológica dos eritrócitos.  No paciente com talassemia maior a concentração elevada da HB fetal encontra-se em torno de 20% e 100%, dependendo do tipo de mutação da Talassemia beta.

Devido à complexidade das hemoglobinopatias, seu diagnóstico envolve etapas importantes já que foram encontrados cerca de 800 tipos de hemoglobinas variantes em todo o mundo. O teste conhecido como cromatografia líquida de alta performance (HPLC) é indicado para o diagnóstico diferencial das hemoglobinopatias, pois, este método permite melhor identificação dos vários tipos com quantificação precisa das hemoglobinas (FRANCO, 2006).

Fazendo uma analise hematológica minuciosa no esfregaço sanguíneo deve-se considerar para a Talassemia maior achados de pontilhado basófilo e hemácias em alvo quando tiver associado a VCM e HCM abaixo dos valores normais (MATOS et al, 2008).

Naoum e Naoum apresentam um resumo dos achados laboratoriais em portadores doentes da Talassemia Maior:

  • Hb Fetal – 20 a 90%, Anemia hemolítica microcítica e hipocrômica (Hb < 7g/dL).
  • Morfologia eritrocitária: anisocitose, células em alvo, formas bizarras, células fragmentadas, siderócitos, pontilhados basófilos, poiquilocitose, esferócitos, eritroblastos e anel de Cabot.
  • Reticulócitos: aumentados
  • Leucócitos: frequentemente elevados com desvio à esquerda
  • Plaquetas: normais
  • Ferro sérico e capacidade de transporte: elevada
  • Ferritina: elevada
  • LDH sérico: elevado
  • Bilirrubina indireta: elevada (1 a 3mg/dL)
  • Urobilinogênio na urina: elevado
  • Sobrevida dos eritrócitos: diminuída
  • Fragilidade osmótica: diminuída
  • Fragilidade mecânica: aumentada
  • Medula óssea: hiperplasia das células eritróides

Ante o exposto, podemos perceber a gama de alterações pertinentes aos portadores da Talassemia maior e a importância de um resultado positivo fidedigno, frente a este seria problema de saúde pública que pode interferir na qualidade de vida do doente talassêmico.

No entanto, Lermen et al (2007) asseguram que o diagnóstico da Talassemia pode ser confundido com outras disfunções da hemoglobina, a exemplo a Talassemia minor que apresenta semelhança nos achados laboratoriais com a anemia ferropriva. Por isso a necessidade de investigação dos padrões hereditários. O estudo familiar e aconselhamento genético são indispensáveis para a conscientização dos indivíduos heterozigotos, pois possibilita a definição dos próximos descendentes.

“Há exames simples e oferecidos gratuitamente pelo SUS – que apresentam o metabolismo do ferro no organismo: ferro sérico, saturação da transferrina, ferritina, importantes na avaliação da anemia por carência de ferro, facilitando o diagnóstico das talassemias” (ABRASTA).

6 TRATAMENTO DA TALASSEMIA  MAIOR

O tratamento da Talassemia Maior (TM) fundamenta-se em transfusões de sangue, terapêuticas quelantes, esplenectomia (remoção do baço) e apoio psicológico. Com o emprego eficiente e cuidadoso destas medidas, o prognóstico sofreu uma evolução favorável, passando de doença letal na infância com sobrevida mediana inferior a 5 anos, para uma doença crônica, com desenvolvimento próximo ao normal e vida mediana superior a 25 anos. (ABRASTA).

A terapia transfusional possibilita ao paciente um desenvolvimento normal e sua administração requer a dose diária de 100 a 200 ml de concentrado de hemácias por kg/ano para manter os níveis de hemoglobina no sangue de 9,0 a 10,5g/dl (GANZELLA e ZAGO, 2011).

A dose recomenda de transfusão sanguínea para tratar a TM é de aproximadamente 100 a 200ml de hemácias /kg ano, dessa forma, pretende-se que a hemoglobina atinja níveis de 9,0 e 10,5g/dl. No entanto, devido a continuidade desta terapia surgem complicações como reações hemolíticas, dentre outras acumulo de ferro em diferentes órgãos com prejuízos significativos para o paciente, principalmente para crianças que tem seu desenvolvimento comprometido (GANZELLA e ZAGO 2011).

Diante das complicações relevantes ao portador de talassemia maior com adesão ao tratamento transfusional, este paciente pode apresentar hiperpigmentação devido ao aumento da melanina nas camadas basais, aliado à atrofia da pele; Diabetes pelo aumento em excesso de ferro nas células beta-pancreáticas lavando a resistência a insulina; diminuição da libido, impotência, amenorreia, atrofia testicular, ginecomastia e queda de pelos, alterações que têm como fator determinante o acúmulo de ferro da hipófise e no hipotálamo (CANÇADO, 2007).

O aumento de ferro no organismo ocasionado por constantes transfusões sanguíneas requer o uso de terapia medicamentosa a base de medicamentos quelantes. Estes fármacos podem provocar efeitos colaterais e alterações patológicas importantes.  Os indivíduos que fazem uso destes medicamentos estão sujeitos a perda auditiva, catarata e redução do crescimento da coluna lombar. No caso do medicamento Deferiprone, ocorre redução das células brancas, desestabilizando o sistema imune, facilitando a ocorrência de infecções oportunistas e neste caso recomenda-se hemograma a cada 10 dias (ABRASTA).

É de extrema importância a monitorização do paciente, no sentido de avaliar a farmacoterapia empregada, identificar as reações adversas dos medicamentos, pois, na maioria das vezes o paciente abandona a tratamento ou não apresenta uma adesão plena em função das reações, que, em alguns casos pode ser resolvido com a introdução da dose adequada ou até mesmo a substituição do medicamento feito exclusivamente pelo profissional prescritor.

Existem três tipos de quelantes utilizados no tratamento da talassemia maior. O Deferoxamine é uma droga que deve ser administrada cinco vezes por semana por via subcutânea ou endovenosa, durante a noite. A Deferiprona deve ser administrada três vezes ao dia por via oral. O Deferasirox é administrado em dose única diária, de uso oral e sua forma farmacêutica são tabletes efervescentes. A combinação destas drogas potencializa o efeito quelante do ferro, ressaltando que os efeitos colaterais não são aumentados. Entretanto, cada paciente requer um tratamento de acordo com o seu perfil clínico e sobrecarga de ferro. A interrupção do tratamento implica em condições físicas deterioradas, aumento da concentração de ferro em diversos órgãos podendo levar a morte (GANZELLA e ZAGO, 2011).

A terapia quelante é a ferramenta indispensável para uma maior sobrevida do paciente com TM. Esta intervenção deve ser feita antes mesmo da instalação do excesso de ferro no organismo onde a quantidade de ferro quelada e excretada deve ser maior que a quantidade de ferro originadas das transfusões de hemácias (CANÇADO, 2007).

O transplante de medula óssea é a única alternativa terapêutica capaz curar pacientes com hemoglobinopatias. Em se tratando da talassemia maior, na China nove portadores passaram pelo transplante de medula onde os doadores eram pessoas da própria família, obtendo resultados satisfatórios, pois, em todos os casos a talassemia foi extinta e todos deixaram de depender das transfusões sanguíneas. Apenas um foi a óbito em decorrência de complicações em função do procedimento e outros sete apresentaram problemas intestinais, mas ficando livres da terapia para a talassemia maior. O transplante é recomendado para pacientes talassêmicos em risco de morte (SLAVEC, 2008).

Ainda conforme o autor acima o apoio psicossocial paralelo ao tratamento farmacoterapêutico para os pacientes com talassemia maior em função das possibilidades do portador na inserção no mercado de trabalho, aumento do índice de escolaridade e do desejo de constituir família, ou seja, esta intervenção é essencial para a melhoria da qualidade de vida embora exista o medo do preconceito devido a falta de informações sobre a doença no meio social.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com os achados do presente estudo, vários distúrbios hematológicos envolvendo a hemoglobina são identificados e discutidos na literatura científica com destaque para a Anemia Falciforme e as Talassemias, hemoglobinopatias consideradas graves problemas de saúde pública mundial.

As hemoglobinopatias possuem característica autossômica recessiva e distinguem-se uma das outras conforme a mutação no gene da globina, apresentando cadeias polipeptídicas alfa/beta, prejudicadas.

A Talassemia maior constitui uma hemoglobinopatia variante hereditária caracterizada por uma anemia grave com comprometimento da oxigenação tecidual e pulmonar, que pode trazer sérias complicações para o portador quando não identificada de forma precoce e seu tratamento iniciado ainda na infância. Os portadores desta patologia apresentam eritropoese extramedular e hemólise crônica dentre outras anormalidades envolvendo os eritrócitos.

Em relação ao diagnóstico, devido aos vários tipos e subtipos da doença se faz necessária atenção e conhecimentos específicos para determinar mutações envolvendo a hemoglobina. No entanto, pode ser detectada na triagem neonatal no período entre 7 e 30 dias pós-nascimento por meio de eletroforese de hemoglobina e cromatografia liquida.  Os eritrócitos podem expressar anormalidades no sangue circulante como microcitose, dacriócitos, esquisocitose, hipocromia, comparados com aos índices VCM e HCM abaixo dos valores normais, além de pontilhados basófilos.

O tratamento para a Talassemia Maior é composto por transfusões sanguíneas rotineiras, terapia medicamentosa com o uso de quelantes, além de esplenectomia (retirada do baço), dessa forma, estima-se maior aumento de vida para o portador. Entretanto, a única terapia para a cura de hemoglobinopatias é o transplante de medula óssea. É indicada para os casos em que no paciente corre risco de morte.

Por fim, é indispensável que ocorra o aprofundamento do estudo do hemograma nos laboratórios quando se trata de confirmação de hemoglobinopatias, uma vez que existem variantes para esta patologia que pode ser deletéria para seu portador.

 

AGRADECIMENTOS

Agradeço a minha querida filha Marcele Gomes Araújo, esposo Marcelo, a todos os meus amigos que de alguma forma contribuíram para o alcance de mais um objetivo de vida, seja acreditando no meu potencial e incentivando essa realização e, em especial as colegas Vera, Vanderleia e Silvia Braga, companheiras de muitas lutas. Muito obrigada!

 

REFERÊNCIAS

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