![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Distribuição Geográfica da Hb S |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Autor: Paulo Cesar Naoum |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A mutação que deu origem à célula falciforme provavelmente ocorreu em pelo menos cinco regiões diferentes durante o processo evolutivo da espécie humana. As análises realizadas por RFLPs (Polimorfismos de Tamanho de Fragmento de Restrição) permitiram identificar esses processos mutacionais independentes por meio de análises moleculares efetuadas nos genes da globina beta em diferentes populações, que resultaram no conhecimento dos haplótipos da Hb S. Assim, foi possível identificar que há cinco pontos geográficos a partir dos quais o gene da Hb S se difundiu para quase todas as regiões do globo terrestre. Esses pontos são: Senegal – caracterizado pelo haplótipo Senegal; República Centro Africana e Sudeste da África – haplótipo Bantú; Benin, e Região Central, Norte e Oeste da África – cujas populações apresentam o haplótipo Benin; Camarões – onde identificou-se o haplótipo Camarões; e Arábia Saudita e Índia (região central e sudeste) – caracterizadas pelo haplótipo Árabe-Indiano.
Hb S NA ÁFRICA A África é um continente caracterizado por países habitados por grande número de tribos onde predominam a ausência de miscigenação inter-tribal. É certamente por essa razão que a prevalência do gene da Hb S varia consideravelmente num mesmo país, conforme mostra a tabela 6.16.
Tabela 6.16 – Prevalência do gene da Hb S, por meio de identificação do genótipo de Hb AS, em 25 países da África, por ordem alfabética.
Ao avaliarmos regionalmente a África foi possível estabelecer que, com exceção da região nordeste composta por Etiópia e Somália, as outras regiões apresentam prevalências de Hb S muito próximas (figura 6.50). Entretanto a avaliação absoluta sobre a prevalência do gene da Hb S se revela por meio do número de nascimentos anuais de crianças homozigotas (Hb SS) que resulta na anemia falciforme. Para estabelecermos um parâmetro de comparação com o Brasil optamos escolher a Nigéria que tem uma população próxima à nossa, cerca de 180 milhões de habitantes. A Organização Mundial da Saúde estimou em 1989 que enquanto no Brasil o número de crianças nascidas por ano com Hb SS foi próximo de 1.800, na Nigéria o número de nascimento foi de 63.000.
Figura 6.50 – Distribuição regional do gene da Hb S no continente africano.
Hb S NA EUROPA E ÁSIA A difusão do gene da Hb S nos continentes europeu e asiático ocorreu de diferentes formas, quer sejam por graduais movimentos imigratórios da África para a Ásia ao longo de pelo menos 5 mil anos de evolução da espécie humana, ou por conquistas realizadas pelo Império Romano em algumas regiões da África, e por comércio de escravos para o leste europeu e península ibérica. Em alguns países da Europa e Ásia a prevalência do gene da Hb S alcança valores próximos ao observado na África. Esse fato se verifica em algumas ilhas gregas e em grupos étnicos da Turquia, Síria, Arábia Saudita, Israel e Índia. A tabela 6.17 apresenta as prevalências em seis países europeus e quatorze asiáticos. Da mesma forma do que foi observado no continente africano relativo as extremas variações do gene da Hb S (ex.: 1 a 40%), em alguns países da Europa e Ásia também foram observadas expressivas diferenças entre suas populações: Grécia (0 a 30%), Turquia (1 a 35%), Arábia Saudita (1 a 35%), Índia (1 a 35%), Árabes de Israel (1 a 40%). Essas diferenças discrepantes em um mesmo país se deve ao alto grau de amíxia (ausência de miscigenação entre diferentes raças ou grupo étnicos), fato que favorece a baixa ou a alta prevalência da Hb S em determinadas regiões de um mesmo país.
Tabela 6.17 – Prevalência do gene da Hb S por meio da identificação do genótipo de Hb AS em seis países europeus e 14 asiáticos, por ordem alfabética.
Hb S NAS AMÉRICAS A introdução do gene da Hb S nas Américas do Sul, Central (incluindo o Caribe) e Norte foi realizada por meio de escravos africanos. Excetuando o Brasil que terá abordagem específica, os países que tiveram o negro na composição racial das suas populações mereceram estudos específicos sobre prevalências para negros, brancos e mestiços. Em uma das mais completas avaliações sobre a prevalência de Hb AS na América Central, realizada em 1988 por German Saenz e colaboradores, foi possível verificar que os resultados entre negros se estabelecia )próximo ao verificado em alguns países da África (tabela 6.18). No Caribe, a prevalência média de Hb AS foi de 8%, com expressiva freqüência entre negros de alguns dos países avaliados (tabela 6.19). Na América do Norte, em especial nos Estados Unidos (USA), a segregação racial entre negros e brancos impôs uma volumosa população verdadeiramente negra, constituída por uma sociedade bem organizada e engajada dentro de valores sócio-culturais também bem definidos. Nesta população de afro-descendentes norte-americanos, a prevalência de Hb AS é variável entre 6 e 15%, e a prevalência média de nascimentos de crianças negras com anemia falciforme é de um caso para cada 500. Estudos efetuados no México revelaram que a Hb AS estava presente, em média, 1% entre brancos e 9% entre os afro-descendentes.
Tabela 6.18 – Valores médios de prevalência de Hb AS em cinco países da América Central, em populações especificadas por Branco, Negro e Mestiço.
(*) Pessoas morenas com ascendência afro.
(*) Pessoas morreram com ascendência afro.
Na América do Sul a prevalência da Hb S se caracteriza por um aspecto muito específico devido à introdução significativa do negro africano apenas no Brasil, Colômbia, Venezuela, Suriname e Guiana Francesa. Por outro lado, países como a Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai tiveram maior influência das mestiçagem entre os colonizadores espanhóis e indígenas, com pouquíssima ou insignificante participação do negro na composição de suas populações. Por essa razão, a prevalência média de Hb AS nas populações venezuelanas e colombianas é por volta de 2,5%; entre negros e descendentes afros, em ambos países, a Hb AS é variável entre 9% (Venezuela) e 15% (Colômbia). No Guiana Francesa e Suriname com populações predominantemente negra a freqüência de portadores de Hb AS atinge 18 e 22%, respectivamente. Nos demais países sul-americanos a prevalência de Hb AS está abaixo de 1%.
Hb S NO BRASIL A introdução da Hb S no Brasil foi inicialmente apresentada no capítulo 6. O gene da Hb S foi difundido de forma heterogênea no Brasil ao longo de aproximadamente 300 anos de tráfico de escravos africanos, e esse fato pode ser avaliado por meio das análises efetuadas em 59 cidades brasileiras. Assim, os resultados da distribuição da Hb S no Brasil foram obtidos de pesquisas realizadas pelo Prof, Paulo Cesar Naoum no Centro de Referência de Hemoglobinas (UNESP de São José do Rio Preto) no período de 1978 a 2003, totalizando 80.297 amostras de sangue de pessoas que expressaram a ascendência caracterizada por meio da cor de pele: branca (caucasóide) e negra (negróide). A tabela 6.20 apresenta especificamente as prevalências de Hb AS em 59.263 pessoas consideradas como caucasóides e 21.034 caracterizadas como negróides. A média das prevalências na população total analisada foi de 2,2%, em caucasóides de 1,2% e em negróide de 4,9%, com ampla variação entre as cidades.
Tabela 6.20 – Prevalências de Hb AS em 59 cidades e 16 estados, em Caucasóides, Negróides e População Total Analisada.
A distribuição da Hb AS nas cinco regiões mostra a diversidade de prevalências (tabela 6.21 e figura 6.51 ).
Tabela 6.21 – Prevalência de Hb AS por região brasileira e grupos raciais classificados em caucasóide e negróide.
Figura 6.51 – Distribuição do gene da Hb S nas regiões do Brasil, com valores médios obtidos da tabela 47 referentes à população total de cada região analisada.
A análise desta tabela torna evidente que a miscigenação branco-negra foi diferente em cada região, cuja intensidade pode ser avaliada pela prevalência da Hb AS entre os caucasóides. Essa miscigenação apresenta um aspecto interessante relativo ao decréscimo de sua intensidade no sentido norte-sul. Entretanto, ao considerarmos somente a população classificada como negróide, observa-se que a prevalência se mantém entre 4,0 e 5,5% em todas as regiões.
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
Item anterior do Sumário | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
(Hb SC ou doença SC) | (Clínica e Tratamento) |